Para Sempre Cinderela

Para Sempre Cinderela

Classificação
Livre
Duração
60 minutos
Local
Theatro Via Sul Fortaleza
Múltiplas Apresentações
1 datas disponíveis
1 dom, 15 de março de 2026
17h00

Para Sempre Cinderela

Sob a regência efervescente e espirituosa da Abertura de La Cenerentola, as cortinas da história se abrem não em um reino distante, mas em um escritório esfumaçado na Califórnia de meados do século XX. O cenário é claustrofóbico e moderno: esboços de ratos falantes e abóboras mágicas cobrem as paredes. É aqui que a imponente Dama Drew confronta um atônito Walt Disney. Com a música de Rossini crescendo em um crescendo dramático, ela desafia a narrativa infantilizada que o estúdio está prestes a lançar. Ela exige que a verdade seja dita: a história de sua ancestral, Danielle de Barbarac, não foi escrita com varinhas de condão, mas com sangue, lama e tinta.

A música muda, transportando-nos num corte abrupto para a França Renascentista do século XVI. O cenário se expande para a grandiosa, porém decadente, Mansão de Barbarac. A orquestra de Rossini, agora em tons mais melancólicos e pastorais, acompanha a rotina exaustiva de Danielle. Órfã de um pai amoroso e subjugada pela invejosa Baronesa Rodmilla, Danielle não é uma donzela passiva aguardando resgate. Seu refúgio não é o sonho, mas a poeirenta biblioteca da mansão, onde, à luz de velas e cercada por tomos antigos, ela encontra na obra Utopia, de Thomas More, as armas intelectuais para questionar sua condição.

A trama ganha dinamismo e novos cenários. As cordas rápidas e os staccatos cômicos de Rossini introduzem o ateliê caótico de Leonardo Da Vinci. Entre engrenagens, telas inacabadas e a genialidade excêntrica, o mestre renascentista assume o papel que o folclore daria a uma fada. Ele não oferece mágica, mas ciência e perspectiva. É neste ambiente de invenção que Danielle molda sua transformação, provando que a inteligência é o maior de todos os encantos.

O romance com o Príncipe Henry floresce longe dos salões de baile, em cenários de florestas densas e acampamentos ciganos. Ao som de árias vibrantes que evocam aventura e perigo, Danielle resgata o príncipe não apenas de bandidos, mas de sua própria ignorância aristocrática. O contraste visual é intenso: a rusticidade vibrante das fogueiras ciganas contra a frieza calculista dos corredores de pedra do Castelo Real, onde a Baronesa Rodmilla trama suas maquinações ao som de duetos vocais ágeis e tensos, refletindo a disputa de poder.

O clímax nos leva ao Grande Baile de Máscaras. Aqui, a música de Rossini atinge seu apogeu operístico. Em meio a um cenário de espelhos, sedas e candelabros infinitos, Danielle entra não como uma princesa misteriosa, mas como uma força da natureza. O icônico sapato — aqui uma relíquia familiar de vidro veneziano — torna-se o símbolo de sua fragilidade e de sua força. Quando a farsa é revelada e ela foge, não é por medo da meia-noite, mas pela dor da rejeição de sua verdadeira identidade.

No desenlace, a ária final Non più mesta (Não mais triste) ressoa triunfante. Danielle, com o rosto sujo de fuligem mas a cabeça erguida, conquista sua liberdade nos campos abertos da França, provando a Henry e ao mundo que a realeza não está no sangue, mas no caráter. A adaptação de Matheus Lundgren encerra-se com a fusão do passado e do presente, deixando a mensagem de que o "felizes para sempre" é uma conquista do livre-arbítrio, da justiça social e da coragem de ser, acima de tudo, humano.

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: Livre. Crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais, não pagam.

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